segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O Guarda-Redes

“Os 3 C do Guarda-Redes são: Calma, Controlo e Concentração.” (Gordon Banks, ex guarda-redes da selecção Inglesa).

“Já li muitos livros e artigos de jogadores de campo e todos eles falavam de pressão que sofrem no futebol de alto nível, mas quando falamos de tensão mental tudo é fácil comparado com o que sofrem os guarda-redes.” (Gordon Banks, ex guarda-redes da selecção Inglesa).

“Num bom Guarda-Redes encontramos tudo o que procuramos num desportista: reflexos e sincronização, força e velocidade, espectacularidade e movimentos perfeitos. Pela sua competitividade, pela sua valentia, não há nada que não admiremos no desporto que não se encontre num guarda-redes.” (John Hodgson).

sábado, 29 de janeiro de 2011

Treino de Guarda-Redes F.FLY Belenenses - Época 2009/2010

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Treino realizado na época 2009/2010 na escola de futebol Jovem Matateu do Belenenses, com guarda-redes nascidos entre 2000 e 2003.

O Treinador
Fábio Fernandes

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Exercícios de treino de Guarda-Redes

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Apresento aqui alguns exercícios possíveis de aplicação nos vossos clubes. Todos nós que estamos nesta área sabemos que muitas vezes os clubes não apresentam as melhores condições de trabalho para desenvolvermos as qualidades dos nossos guarda-redes, seja por falta de tempo ou principalmente por falta de material  disponível para elaborarmos os exercícios. Contudo com um pouco de imaginação e de trabalho, podemos elaborar os nossos próprios exercícios apartir do material disponível.

Fábio Fernandes

Fonte do video (apport)

terça-feira, 4 de maio de 2010

O Treino de Guarda-Redes

Este Blog tem como objectivo apenas divulgar e apoiar o treino de Guarda-Redes de Futebol.

Definição dos gestos técnicos de base do Guarda-redes de Futebol

Posição básica

Para Ocaña (1997) o principal objectivo do Gr consiste em evitar que a bola ultrapasse a linha de golo. Para isso ele intervêm sobre a bola mediante a realização de acções técnicas especificas. Todas as acções técnicas tem o seu inicio numa posição fundamental assumida pelo Gr, e sem a qual seria muito difícil executar as acções técnicas de forma correcta.

Para este autor a posição básica pode ser definida como a forma corporal assumida pelo Gr no sentido de facilitar a execução das acções técnicas posteriores com a máxima eficácia.

É fundamental que a execução correcta da posição básica seja feita a partir de um correcto tónus muscular. Assim a cabeça deve encontrar-se erguida de forma a acompanhar a bola com o olhar, o tronco ligeiramente inclinado à frente, braços ligeiramente flectidos e à frente com as mãos à altura dos joelhos, pernas semiflectidas e afastadas formando uma boa base de sustentação, os pés podem assumir duas posições: (a) com toda a superfície plantar em contacto com o solo; (b) apenas a parte anterior contacta com o solo.(Ocaña, 1997)


Fig. 1 - Superfície plantar para a adopção de uma correcta posição básica (adaptado de Ocaña, 1997).


Recepção

Ocaña (1997) refere a recepção como a utilização dos membros superiores de modo a facilitar a posse ou o controlo da bola com as mãos ou os braços, reduzindo parcial ou totalmente a velocidade da bola.

A recepção é classificada de acordo com a posição do Gr em relação à trajectória da bola, assim a recepção pode ser:


Recepção alta

Realizada acima da linha dos ombros, sempre à frente ou sobre o eixo longitudinal corporal, e com os braços estendidos (Ocaña, 1997). Esta acção técnica pode ser executada em salto ou em apoio e sempre com os polegares juntos (mãos em forma de concha).


Fig. 2 - Posição das mãos para a recepção alta (adaptado de Ocaña, 1997).


Recepção média

Realizada entre a linha dos ombros e a linha da cintura, as mãos situam-se no plano frontal de forma a que o corpo constitua uma segunda barreira entre a bola e a baliza (Ocaña, 1997).


Fig. 3 - Proteger sempre a bola com o corpo (adaptado de Ocaña, 1997).


Recepção baixa

Segundo Ocaña (1997) esta acção técnica é realizada entre a linha da cintura e solo, com um joelho flectido e apoiado no chão, o tronco flectido à frente e com os braços estendidos(procura juntar os antebraços).


Fig. 4 - Proteger sempre a bola com o corpo (adaptado de Ocaña, 1997).


Recepção em queda

Realizada, com qualquer superfície corporal em contacto com o solo (queda lateral) à excepção dos apoios plantares. Com os braços estendidos, flexão e abdução da perna que entra em contacto com o solo e dedos das mãos afastados (Ocaña, 1997). Para maior segurança, no final da acção técnica, levar a bola ao peito pressionando-a com os braços, antebraços e mãos.


Fig. 5 - Braços estendidos no prolongamento do corpo (adaptado de Ocaña, 1997).


Recepção com encaixe

Para Ocaña (1997) a recepção com encaixe pode ser definido como a acção técnica que possibilita ao Gr a posse da bola através de uma única acção, reduzindo totalmente a velocidade da bola através do contacto desta contra o peito e a simultânea pressão realizada pelos antebraços e mãos contra o corpo do Gr.


Fig. 6 - É importante que a acção dos braços e antebraços seja coordenada com o impacto da bola no peito(adaptado de Ocaña, 1997).

A recepção com encaixe diferencia-se das outras acções técnicas por utilizar o peito como superfície corporal de na realização do gesto técnico.

Esta acção técnica é classificada como:


Recepção com encaixe médio


Fig. 7 - Encaixe médio (adaptado de Ocaña, 1997).


Recepção com encaixe em queda


Fig. 8 - Encaixe em queda (adaptado de Ocaña, 1997).


Desvios

De acordo com Ocaña (1997) os desvios são acções técnicas que consistem em modificar a trajectória e/ou o sentido da bola, dando-lhe uma direcção determinada com propósito defensivo.

Os desvios podem ser classificados de acordo com a superfície de contacto com a bola, deste modo temos:

  • Desvios com a mão - realiza-se quando a bola descreve uma trajectória área, o contacto com a bola é precedido de um deslocamento frontal e nunca deve ser efectuado em apoio. Esta acção técnica deve ser utilizada quando a recepção da bola seja inadequada ou quando a sua posse não seja garantida.

  • Desvios com o pé - com o novo quadro de regulamentos esta acção técnica foi valorizada.

Alguns dos erros mais comuns são desviar a bola para as zonas centrais e desviar a bola sem contudo a tirar do centro do jogo.


Colocação e orientação

Para Cabezón (2001) a colocação do Gr é fundamental para o correcto desempenho da sua função táctica. O Gr deve modificar a sua colocação em função da direcção da bola, dos seus companheiros e dos seus adversários.

O conceito de orientação do Gr surge quando este se desloca no terreno com o objectivo de intervir no jogo. Cabezón (2001) refere como pontos de referência para a orientação do Gr as esquinas da grande área, o semi-circulo da grande área e a marca da grande penalidade.

Ocaña (1997) refere que a colocação e orientação do Gr quando a equipa se encontra em posse de bola deve ter em atenção:

  • Evitar abandonar as zonas centrais da grande área;

  • Situar-se no semi-circulo da sua grande área, com o objectivo de dar profundidade à sua linha defensiva.


Saídas

Esta acção técnica é realizada pelo Gr quando saí da sua área de protecção no sentido intervir sobre a bola utilizando para tal um gesto técnico especifico (recepção ou desvios).

A execução técnica da saída divide-se em dois momentos distintos, (a) o deslocamento e (b) a intervenção sobre a bola. A bola encontra-se na posse do adversário que a conduz na direcção da baliza. Na acção de condução de bola, diferencia-se dois momentos, (1) um em que a bola se encontra fora do controlo motor do atacante (2) e outro em que o jogador está em contacto com a bola. É pois, no primeiro momento (1) que o Gr deve intervir sobre a bola, de forma rápida e decidida.


Fig. 9 - Momento da intervenção do Gr sobre a bola (adaptado de Ocaña, 1997).

As saídas, com orientação defensiva, classificam-se de acordo com o tipo de deslocamento feito pelo Gr, assim temos:

  • Saída frontal - deslocamento frontal.

  • Saída lateral - deslocamento lateral.


Reposição de bola em jogo

Ocaña (1997) define-a como a acção realizada pelo Gr em posse de bola com o objectivo de dar continuidade ao jogo. Em função da superfície corporal utilizada para a realização do gesto técnico, pode-se classificar a reposição de bola em jogo como reposição com o pé e reposição com a mão.


Reposição com o pé

Para uma correcta execução deste tipo de reposição é fundamental que o Gr realize em simultâneo um deslocamento frontal e uma extensão completa do braço que lança a bola para o pé.


Fig. 10 - Deslocamento frontal e extensão completa do braço que lança a bola para o pé (adaptado de Ocaña, 1997).

Alguns dos erros mais comuns na realização da reposição de bola com o pé são:

  • Flectir o braço que lança a bola;

  • Executar a reposição para fora do terreno de jogo;

  • Realizar o gesto técnico a partir de uma posição estática.


Reposição com a mão

Como critérios de execução para este gesto técnico o autor refere a extensão completa do braço e o olhar dirigido para a zona alvo.


Fig. 11 - Extensão completa do braço e olhar dirigido para a zona alvo (adaptado de Ocaña, 1997).

Alguns dos erros mais comuns na realização da reposição de bola com a mão são:

  • Flectir o braço que executa;

  • Realizar um lançamento de precisão em que a bola contacta com o solo antes de contactar com o jogador.


"Diferença entre especialização precoce e exercícios específicos"

Cada vez mais no Futebol, pelas suas características e evolução constante, surge a necessidade da especificidade do trabalho (exercício), direccionado para as diferentes funções tácticas e orientado pelos princípios que dão corpo ao modelo de jogo adoptado. Neste contexto, o Guarda-Redes assume um papel fundamental. É uma função táctica com exigências especificas e concretas necessitando, deste modo, de uma formação especifica e direccionada para as exigências que lhe são solicitadas pelo jogo.

Desde o momento que se iniciam na prática do Futebol, até atingirem um nível superior, os jovens futebolistas devem passar por um processo de formação coerente em que haja uma progressão da aprendizagem distribuída por diferentes etapas, com objectivos, estratégias e conteúdos adequados ás suas diferentes fases de desenvolvimento (Pacheco, 2002).

Especialização Precoce


No passado era frequente encontrar-mos situações em que eram aplicados modelos de treino a jovens praticantes como se estes se tratassem de adultos, com o objectivo de transformar esses jovens em pequenos campeões colocando em risco o desenvolvimento harmonioso do seu corpo e de uma potencial carreira desportiva. Aqui verifica-se uma clara especialização precoce em que o desenvolvimento desportivo do jovem não acompanha o seu desenvolvimento biológico.

De acordo com Marques (1999) este tipo de especialização desportiva caracteriza-se por cargas de treino muito intensas, que promovem rápidos desenvolvimentos da prestação desportiva nas fases iniciais, mas que levam a um esgotamento prematuro da capacidade de rendimento, promovendo aquilo que se designa por barreiras de desenvolvimento.

Segundo Añó (1997) a especialização precoce define a prática intensa, sistematizada e regular de crianças e jovens antes das idades consideradas normais. Este autor refere a especialização precoce como resultado da aplicação de sistemas de treino não adequados ou a utilização literal dos sistemas de treino dos adultos com crianças ou jovens. Ainda de acordo com este autor os períodos pubertário e pós-pubertário são indicados como as idades próprias para a especialização desportiva.

Exercício específico

De acordo com Castelo e colaboradores (1996), o treino é todo o processo que a ele está inerente, e que visa, pelos seus efeitos, uma adaptação dos praticantes ás condições que lhe são impostas pela competição, de modo a assegurar:

· Uma Eficiência máxima;

· Com um dispêndio mínimo de energia;

· Uma recuperação rápida.

"O mais importante no treino é a selecção de exercícios e a execução dos que conduzem, sem falha, ao objectivo desejado" (Ozolin citado por Castelo e colaboradores, 1996, pg.37).

Assim sendo, exercício é em última análise, a estrutura base de todo o processo responsável pela elevação, manutenção e redução do rendimento dos praticantes. O seu efeito deve-se fundamentar numa repetição lógica, sistemática e organizada que permita desencadear e orientar uma linha de actividade específica (lógica interna) e idêntica à modalidade desportiva que se quer aprender, aperfeiçoar e desenvolver (Castelo, 1996).

Segundo Queiroz (1986) a especificidade do exercício provoca adaptações que são específicas ao tipo de exercício efectuado e não se limitam só a alterações fisiológicas, mas também implicações precisas dos factores técnicos, tácticos e psicológicos, e é o elemento principal requerido para obtenção do sucesso.

Oliveira (1991) refere que a especificidade apenas faz sentido se houver uma permanente e constante relação entre as diferentes componentes psico - cognitivas, técnico - tácticas, físicas e coordenativas, em correlação permanente com o modelo de jogo adoptado e os princípios que lhe dão corpo.

Ainda de acordo com o mesmo autor, a especificidade tem de passar a ser uma metodologia, uma forma de estar, essencialmente uma filosofia de treino, em que os objectivos e os conteúdos não basta serem situacionais, têm de que estar ligados a um processo em espiral que forma uma realidade muito própria. Assim sendo, não devemos encarar a especificidade como um fim em si mesmo, mas como uma forma de estruturação intimamente relacionada com o modelo de jogo, neste caso modelo de formação.

A importância do exercício específico surge reforçada quando se pretende racionalizar o tempo de treino. Isto é, no sentido de maximizar os efeitos do treino, dentro dos limites temporais do processo de treino (quatro a cinco horas semanais),surge a necessidade de estimular capacidades especificas variadas, e para o efeito o exercício especifico apresenta-se como a solução mais favorável.

Neste sentido, é nossa convicção que na formação de um jovem para desempenhar a função de Guarda-Redes é fundamental a utilização de exercícios específicos de modo a que este consiga desenvolver um conjunto de capacidades específicas que lhe permitam dar a melhor resposta perante o jogo.

Apesar da aplicação dos exercícios específicos é possível que o seu desenvolvimento motor, cognitivo e social seja abrangente, apenas lhe direcciona a sua formação para desempenhar uma função táctica específica.

"Futebol Moderno"


O Futebol de hoje, o denominado "Futebol moderno", teve a sua origem em Inglaterra no ano de 1863, contudo só em 1871 surge no código das leis de jogo a primeira referência ao Guarda-Redes, sendo que durante estes anos a defesa da baliza era feita por qualquer dos jogadores intervenientes. A partir de 1912 o Guarda-Redes deixou de poder jogar a bola com os membros superiores fora da área de protecção dos atacantes (Esteves, 2000).

Treino FF

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O Guarda-redes continua a ser resultado quase de uma geração espontânea e a sua formação continua a ser feita através de exercícios isolados da restante equipa, sendo apenas integrado quando a equipa realiza situações de jogo ou de finalização.
O meio de potencializar as capacidades no Guarda-redes é a sua formação desportiva.
A formação do Guarda-redes no Futebol moderno é um grande objectivo de futuro. Sabendo nós das dificuldade sentidas pelos clubes responsáveis por esta formação, nomeadamente a falta de pessoal especializado e equipas técnicas reduzidas em que raramente se disponibiliza alguém para este tipo de trabalho.

Em Portugal, o Futebol assume, sem dúvida, o lugar de modalidade principal nos mais variados aspectos. Contudo, verifica-se que esta dimensão não é acompanhada pela investigação, nomeadamente no que respeita à investigação sobre a formação e o treino do Guarda-redes.
Nos dias de hoje o Guarda-redes não ocupa, apenas, aquele lugar entre os postes, e cuja única missão era deter os remates da equipa adversária. Com a evolução que o jogo sofreu ao longo dos últimos anos, as responsabilidades do Guarda-redes tem sofrido algumas alterações.

No sentido de dar resposta a estas novas exigências impostas pelo jogo, torna-se fundamental dotar o Guarda-redes de capacidades que lhe permitam cumprir as suas novas funções de uma forma eficaz.